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Primeiro organismo gigante já dominou a Terra e confunde cientistas

Em 1843, pesquisadores descobriram fósseis de Prototaxites, o primeiro organismo grande a habitar a terra seca. Desde esse momento, a comunidade científica vem debatendo se eles seriam plantas, fungos gigantes, algas ou até mesmo de um reino para além de todos esses. A hipótese mais consolidada atualmente é de que sejam fungos.

No entanto, uma equipe de cientistas se aprofundou nos restos mortais da espécie mais bem preservada de Prototaxite e levantou o debate novamente. Através da análise dos fósseis, o grupo argumentou que esses seres deveriam ser considerados parte de uma linhagem extinta da Árvore da Vida, sendo algo totalmente diferente dos organismos conhecidos.

Eles eram seres grandes e pioneiros

Há 410 milhões de anos, no período Devoniano da Terra, a vida se concentrava nos oceanos. O solo seco era dominado por musgos e pequenas plantas que cresciam até seis centímetros. Porém, um organismo se destacava com seus oito metros de altura: os Prototaxites eram diferentes e formavam conjuntos parecidos com florestas.

Com o passar do tempo, esse grupo sumiu dos reinos da vida e ficou marcado apenas em fósseis. O principal artefato que carrega exemplares deles é o Cherte de Rhynie, uma jazida paleontológica protegida por depósitos vulcânicos que preservou tão bem os restos mortais que é possível estudar suas paredes celulares.

Ilustração de um Prototaxite feita pelo cientista Dawson, em 1888. (Imagem: Dawson / Wikimedia Commons)

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Dentre os seres guardados, estão alguns membros da espécie Prototaxite taiti, que eram menores, mas mesmo assim se destacavam dos outros organismos. Em 2018, outra equipe de pesquisadores examinou os fósseis de P. taiti e os classificou como parte do grupo de fungos Ascomycota.

Porém, a equipe de cientistas do novo estudo analisou os restos mortais e chegou a uma conclusão diferente. Os autores constataram que diversos aspectos do P. taiti não se assemelham aos Ascomycota ou a qualquer outra família de fungos.

Prototaxites tinha aspectos únicos

No artigo, eles escrevem que o Prototaxite parece não ter quitina, quitosana ou beta-glucana, sendo esse os principais polímeros estruturais das paredes celulares dos fungos. Por isso, a falta desses compostos levou os pesquisadores a constatar que esses seres não poderiam ser do reino Fungi.

“Não foi encontrado nenhum grupo existente que exibisse todas as características definidoras dos Prototaxites, a saber: 

  • (1) formação de grandes estruturas multicelulares de vários tipos de tubos; 
  • (2) uma composição de tubos rica em componentes fenólicos aromáticos; e 
  • (3) um estilo de vida heterotrófico (provavelmente saprotrófico [consumindo matéria morta])”, eles escrevem.

Outra característica que foi melhor examinada é a composição deles. Assim como os fungos, o P. taiti era estruturado de tubos na escala microscópica, sendo essa uma das razões para a sua antiga classificação. Porém, os autores atuais relataram que esses tubos têm características sutis que não estão presentes em nenhum fungo vivo.

As manchas medulares e os tipos de tubo de Prototaxites taiti são distintos de qualquer coisa observada em grupos de fungos extintos ou existentes.
As manchas medulares e os tipos de tubo de Prototaxites taiti são distintos de qualquer coisa observada em grupos de fungos extintos ou existentes. (Imagem: Corentin C. Loron et al.)

Uma nova linhagem?

Após os fungos, a equipe comparou as características do P. taiti com a dos outros reinos e classificações de seres vivos. Os resultadores levaram os cientistas a argumentar que os Prototaxites não pertencem a nenhuma linhagem da atual Árvore da Vida e precisam ser considerados como um diferente.

Prototaxites taiti era o maior organismo do ecossistema Rhynie e sua anatomia era fundamentalmente distinta de todos os fungos existentes ou extintos conhecidos”, escrevem os autores

Os autores expõem que as outras formas de vida que formaram um ecossistema com o P. taiti e foram fossilizadas fazem parte de linhagens sobreviventes. Nessas comunidades, os Prototaxites eram os maiores elementos, mas parecem não ter sido capaz de se adaptar para preencher os nichos ao redor deles. 

“Concluímos, portanto, que o Prototaxite não era um fungo e, em vez disso, propomos que ele seja melhor atribuído a uma linhagem terrestre agora totalmente extinta”, finalizam os pesquisadores.

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O que a creatina faz no corpo? Veja benefícios e efeitos desse suplemento

A creatina, um suplemento popular entre atletas e entusiastas do fitness, tem ganhado cada vez mais atenção no Brasil. O interesse crescente se deve a diversos fatores, incluindo seus benefícios comprovados e o aumento da disponibilidade, já que a creatina é facilmente encontrada em lojas de suplementos, farmácias e online.

Além disso, a divulgação nas redes sociais amplia o interesse. Influenciadores digitais e atletas compartilham suas experiências com a creatina, aumentando a visibilidade do suplemento. Para se ter dimensão dessa popularidade, a creatina superou o whey protein, que era líder nas pesquisas por suplementos alimentares esportivos desde 2019.

Então, é fato que além do sucesso, o suplemento realmente age de forma positiva no organismo. Vamos dar a ficha técnica dessa queridinha das academias e saber ver quais são os seus benefícios. 

O que é creatina e o que ela faz no corpo?

A creatina é um composto nitrogenado orgânico sintetizado naturalmente no corpo humano, principalmente no fígado, rins e pâncreas, a partir de três aminoácidos: arginina, glicina e metionina. Ela também pode ser obtida através da dieta, principalmente de fontes animais como carne vermelha e peixes.

Do ponto de vista bioquímico, a creatina desempenha um papel crucial no metabolismo energético, especialmente em tecidos que demandam energia rápida e intensa, como os músculos esqueléticos e o cérebro.

O mecanismo de ação da creatina é especialmente importante durante atividades de alta intensidade e curta duração, como levantamento de peso (Imagem: John Arano / Unsplash)

Metabolismo da creatina

No organismo, aproximadamente 95% da creatina é armazenada nos músculos esqueléticos, onde é fosforilada para formar fosfocreatina (ou creatina fosfato). A fosfocreatina, por sua vez, atua como um reservatório de fosfatos de alta energia, que são utilizados para regenerar o trifosfato de adenosina (ATP), a principal molécula de energia celular.

Esse processo é mediado pela enzima creatina quinase (CK), que catalisa a transferência de um grupo fosfato da fosfocreatina para o ADP (difosfato de adenosina), regenerando ATP.

Esse mecanismo é especialmente importante durante atividades de alta intensidade e curta duração, como sprints ou levantamento de peso, nas quais a demanda por ATP excede a capacidade do metabolismo aeróbico de suprir energia imediatamente.

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Quais os efeitos da creatina no treino?

A creatina é um dos suplementos mais estudados e utilizados no mundo da atividade física, conhecida por melhorar o desempenho e contribuir para o ganho de massa muscular. Mas como exatamente ela age no corpo?

Mais energia para exercícios intensos

A creatina funciona como um “combustível extra” para os músculos durante atividades de alta intensidade, como musculação e sprints. Isso acontece porque ela aumenta os estoques de fosfocreatina dentro das células musculares, permitindo que o corpo produza energia mais rápido e sustente esforços explosivos por mais tempo.

Crescimento muscular e força

Além de melhorar o desempenho nos treinos, a creatina ajuda na hipertrofia muscular de duas formas: primeiro, ela retém mais água dentro das células musculares, aumentando o volume muscular temporariamente; segundo, ao permitir treinos mais intensos e volumosos, ela favorece o crescimento muscular a longo prazo.

Recuperação mais rápida

Estudos indicam que a suplementação com creatina pode reduzir a fadiga muscular e acelerar a recuperação após treinos pesados. Isso acontece porque ela ajuda a minimizar os danos musculares e a inflamação, permitindo que você volte a treinar com mais qualidade e menos dores.

Benefícios para o cérebro

A creatina não beneficia apenas os músculos. No cérebro, ela auxilia na produção de energia para as células nervosas, o que pode melhorar a concentração, a memória e até reduzir a fadiga mental em treinos longos ou desgastantes.

Com esses benefícios, a creatina se torna um grande aliado para quem quer melhorar o desempenho nos treinos e otimizar os resultados.

Scoop de creatina
A creatina atua como um “tampão energético”, mantendo níveis estáveis de ATP durante picos de demanda energética. (Imagem: Gleb Usovich / Shutterstock)

Suplementação e dosagem

A suplementação com creatina é amplamente estudada e considerada segura para a maioria das pessoas. A dose padrão é de 3-5 gramas por dia, embora alguns protocolos recomendam uma fase de “carregamento” inicial (20 gramas/dia por 5-7 dias) para saturar rapidamente os estoques musculares. A creatina monoidratada é a forma mais comum e eficaz.

Embora a creatina seja geralmente segura, indivíduos com doenças renais pré-existentes devem consultar um médico antes de suplementar, pois a creatina é metabolizada em creatinina, um marcador de função renal. Além disso, a suplementação pode causar ganho de peso inicial devido à retenção de água.

A creatina é geralmente segura para a maioria das pessoas, mas é importante consultar um médico ou nutricionista antes de iniciar a suplementação, especialmente se você tiver alguma condição de saúde preexistente.

Grávidas podem tomar creatina?

Grávidas não devem tomar creatina sem orientação médica. Embora a creatina seja geralmente segura, não há estudos suficientes sobre seus efeitos durante a gravidez. O metabolismo da creatina pode sobrecarregar os rins, que já estão sob maior estresse durante a gestação. Além disso, a segurança para o feto não está completamente estabelecida. Sempre consulte um médico antes de usar qualquer suplemento durante a gravidez.mulher grávida segurando a barriga com vestido branco

Existe reação alérgica à creatina?

Sim, reações alérgicas à creatina são possíveis, embora raras. Os sintomas podem incluir coceira, erupções cutâneas, inchaço ou dificuldade respiratória. Se houver suspeita de alergia, interrompa o uso e consulte um médico. A creatina pura (monoidratada) é menos propensa a causar reações, mas alguns suplementos podem conter aditivos que desencadeiam alergias.

O excesso de creatina pode matar?

A creatina é geralmente considerada segura nas doses recomendadas (3-5 gramas por dia para manutenção, ou até 20 gramas por dia por um curto período de carregamento). O uso excessivo ou inadequado pode, no entanto, levar a complicações.

A creatina em si tem baixa toxicidade e doses elevadas (até 10-20 gramas por dia) são bem toleradas pela maioria das pessoas. O excesso pode, entretanto, sobrecarregar alguns sistemas do corpo, especialmente em indivíduos com condições pré-existentes.

Um subproduto da creatina, a creatinina, é filtrada pelos rins e excretada na urina. Isso não é um problema em indivíduos saudáveis, mas em pessoas com função renal comprometida, o excesso de creatina pode aumentar a carga sobre os rins e potencialmente agravar doenças renais pré-existentes. O uso excessivo em pessoas com insuficiência renal pode levar a complicações graves, como insuficiência renal aguda.

A creatina aumenta a retenção de água intracelular, o que pode levar à desidratação se a ingestão de água não for adequada. A desidratação grave pode causar desequilíbrios eletrolíticos, como hiponatremia (baixo sódio no sangue), o que pode levar a complicações como edema cerebral, convulsões e, em casos extremos, morte.

A síntese e metabolização da creatina envolvem o fígado. Em casos raros, o excesso de creatina pode sobrecarregá-lo, especialmente em indivíduos com doenças hepáticas pré-existentes. O uso excessivo de creatina pode interferir com medicamentos que afetam os rins ou o fígado. Por exemplo, o uso combinado com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) pode aumentar o risco de danos renais.

Ilustração de corpo humano sinalizando dor na região dos rins
Dores nas costas podem indicar problemas nos rins e o uso de creatina pode piorar condição
(Imagem: Julien Tromeur / Unsplash)

Embora raros, há relatos de complicações graves associadas ao uso excessivo de creatina, especialmente em combinação com outros fatores de risco. O uso excessivo, combinado com exercícios extremamente intensos, pode levar à rabdomiólise – uma condição em que as células musculares se rompem e liberam substâncias tóxicas na corrente sanguínea. Isso pode causar insuficiência renal aguda e, em casos graves, morte.

Não há uma dose letal estabelecida para a creatina em humanos. O uso excessivo crônico ou agudo pode, no entanto, levar a complicações indiretas que, em casos extremos, podem ser fatais, especialmente em indivíduos com condições médicas subjacentes.

Em resumo, recomenda-se manter a dose diária recomendada de 3-5 gramas por dia para manutenção, beber água adequada para evitar desidratação, evitar exceder a dose de 20 gramas por dia e consultar um médico em caso de dúvidas ou condições de saúde específicas. Indivíduos com doenças renais, hepáticas ou outras condições médicas devem consultar um médico antes de usar o suplemento.

Importante!

Segundo estudo publicado pelo Journal of the International Society of Sports Nutrition, diversas evidências apontam que não há relação entre o consumo de doses controladas de creatina e certas doenças. De acordo com o artigo, a creatina não provoca alteração nos rins, câncer, hipertensão e nem calvície.

Sempre é indicado ter orientação médica e nutricional antes de fazer uso de qualquer suplemento. Não se deixe levar por propagandas ou indicações de pessoas leigas, pesquise por marcas confiáveis e siga as prescrições. Fique atento a qualquer desconforto, sintomas ou efeitos indesejáveis ao consumir qualquer medicamento ou suplemento.

As informações presentes neste texto têm caráter informativo e não substituem a orientação de profissionais de saúde. Consulte um médico ou especialista para avaliar o seu caso.

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